Planetas diferentes
Era aniversário do Helio, meu marido. Comprei vários presentes e à noite, a caminho de casa, parei no posto para colocar gasolina no carro. O frentista perguntou se eu queria checar o óleo e me lembrei das inúmeras vezes que o Helio me pede, sem sucesso, para fazer isso: ” Sim, cheque o óleo”, respondi . O rapaz veio com aquele longo palito de metal que eles enfiam no motor e anunciou que o óleo estava sujo, que seria bom fazer a troca. Me armei de paciencia, eram quase oito da noite, mas pensei: “ mais um presente para ele” e concordei. Como, graças a Deus, nunca fiz uma troca de óleo na vida, achei que seriam 5 minutos, sem sair do carro. O frentista, agora acompanhado de um colega, informou que o serviço levaria cerca de 15 minutos e que eu deveria esperar do lado de fora. Vi quando subiram o carro numa estrutura alta e começaram a operação. Sentada numa banqueta num canto do posto, tirei o celular e fiz fotos para documentar a aventura. A certa altura, a dupla recomendou que trocássemos também o filtro por apenas uns tantos reais a mais. Dei o ok: ” Vamos fazer isso direito. O Helio vai ficar muito feliz”, pensei. E meia hora mais tarde, segui para casa com a sensação de missão cumprida. Quando ele chegou, demos os presentes que ele abriu e elogiou. ” E agora, o melhor de todos!”, anunciei. “Fiz a troca de óleo no carro!” O rosto dele se distorceu como se tivesse sentindo uma dor insuportável. Era uma expressão de horror. ” Você está brincando, não é? Você não fez isso…” E eu sem entender: ” Claro que fiz! Não foi o que você pediu? ” Ele berrava: ” Burra! Eu não acredito! Você não sabe que não se troca o óleo de carro novo? Não tem nem 5 mil quilômetros rodados! Agora perdemos a garantia!” E as meninas riam muito, o que piorou a situação. “Mas vc disse…” ” Eu falei CHECAR o óleo! Em que posto foi isso? Eu vou matar esses idiotas!” Fiquei completamente desapontada, emburrei, fui pro quarto, apaguei a luz e dormi. Ele jantou sózinho. No dia seguinte, pediu desculpas porque tinha ficado nervoso com uma coisa que afinal não era tão importante. E me tirou o carro novo.
Eli Carlos Vieira disse:
10/05/2011 às 15:10
Adorei sua participação na ESPN Estadão, com este texto!
Acaba por cair naquela “de boas intenções ‘aquele lugar’ tá cheio”.
Me senti injustiçado lendo o texto, pois não entendo nada de carro!
Beijo! Sucesso!
Jair disse:
24/05/2011 às 17:55
Marina, juro que eu preciso ouvir suas histórias pessoalmente todos os dias!
Saudades.
UmBeijo.
Monica Loureiro Jorge disse:
28/05/2011 às 8:40
Nossa,isso aconteceu comigo em outras situações.
Mas gostei do POST!
eliane disse:
30/05/2011 às 10:55
AH NÃOOOOOOOOOO! marinaaaaaaa, quando for assim, me liga!!!! uhauhauhauhauhauhauh! não creio! NUNCA, NUNCA, NUNCA aceite NENHUMA sugestão de frentista que não seja para colocar gasolina ou calibrar os pneus! minha querida marina…. rachei de rir agora. tadinhaaaa! bjbjbj