Valores Femininos

por Marina Moraes

sem peso na consciencia

No auge de uma discussão, uma amiga, vítima da tradicional perseguição familiar por causa das suas compras, decidiu topar a prosposta do marido: ” Te dou uma peça nova para cada quilo que voce esvaziar do armário”. Otimista, armou-se de enormes sacos de lixo, entrou no closet e começou pelos sapatos. O critério era o peso, claro. Dois ou tres pares de sandalia de salto Anabela ( de madeira), um par de botas de couro legítimo ( mais pesado do que o ecológico), um par de galochas ( nem tem chovido tanto…). Os casacos de invernoforam saindo um a um, preferencialmente os mais longos, os coloridos e os de corte variado. Ficou um pretinho clássico. Jeans, jeans, jeans, tudo pro saco. Camisetas promocionais que estavam guardadas para situações que, graças a Deus, não surgiram como uma limpeza, uma caminhada solitária, uma mão de tinta num móvel. “Descobriu” que o algodão puro é mais pesado do que o misturado e do que o 100% poliester. Achou que nesse caso valia a pena manter menos peças e ficar no algodão, um luxo a que todo morador de país tropical aspira. De quantas pashminas eu preciso para me sentir charmosa no inverno? Encheu tres sacos grandes, o marido e a filha pesaram um a um na balança do banheiro: deu  27, 31 e 22 , um total de 80 quilos. A partir de agora, ela tem carta branca para comprar 80 ítens para o seu guarda-roupa! Um desafio que eu adoraria encarar.

Publicado sexta-feira, 18 de novembro de 2011 às 17:12.
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Freud não explica

Quando viemos de Nova York depois de dez anos, achei que seria bom fazer uma avaliação no estado emocional das crianças,  abaladas com a mudança para o Brasil e, sobretudo, com a separação dos pais. Contamos, em momentos separados, com a ajuda de dois terapeutas, a Otávia e o Patrício. Tava na cara que não daria certo.

Numa conversa na mesa, Manuela contou que uma colega estava tirando notas baixas e que a professora explicou que os pais da menina estavam se separando. ” Eu mudei de país, de escola, de casa, meus pais se separaram, minha mãe se casou novamente e já vou ter um irmãozinho e nem por isso eu vou mal na escola!”

Aparentemente, elas lidavam com naturalidade com a questão dos meus casamentos. Havia um grupo de crianças tomando lanche em casa e eu gritei da cozinha: ” Nego, que horas são? ”

“Quem é Nego?”, perguntou uma menininha.

” É assim que minha mãe chama os maridos dela”, respondeu uma das minhas.

Publicado quarta-feira, 16 de novembro de 2011 às 14:48.
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