Valores Femininos

por Marina Moraes

Freud não explica

Quando viemos de Nova York depois de dez anos, achei que seria bom fazer uma avaliação no estado emocional das crianças,  abaladas com a mudança para o Brasil e, sobretudo, com a separação dos pais. Contamos, em momentos separados, com a ajuda de dois terapeutas, a Otávia e o Patrício. Tava na cara que não daria certo.

Numa conversa na mesa, Manuela contou que uma colega estava tirando notas baixas e que a professora explicou que os pais da menina estavam se separando. ” Eu mudei de país, de escola, de casa, meus pais se separaram, minha mãe se casou novamente e já vou ter um irmãozinho e nem por isso eu vou mal na escola!”

Aparentemente, elas lidavam com naturalidade com a questão dos meus casamentos. Havia um grupo de crianças tomando lanche em casa e eu gritei da cozinha: ” Nego, que horas são? ”

“Quem é Nego?”, perguntou uma menininha.

” É assim que minha mãe chama os maridos dela”, respondeu uma das minhas.

Publicado quarta-feira, 16 de novembro de 2011 às 14:48.

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