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	<title>Valores Femininos</title>
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	<description>por Marina Moraes</description>
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		<title>sem peso na consciencia</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 20:12:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No auge de uma discussão, uma amiga, vítima da tradicional perseguição familiar por causa das suas compras, decidiu topar a prosposta do marido: &#8221; Te dou uma peça nova para cada quilo que voce esvaziar do armário&#8221;. Otimista, armou-se de enormes sacos de lixo, entrou no closet e começou pelos sapatos. O critério era o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No auge de uma discussão, uma amiga, vítima da tradicional perseguição familiar por causa das suas compras, decidiu topar a prosposta do marido: &#8221; Te dou uma peça nova para cada quilo que voce esvaziar do armário&#8221;. Otimista, armou-se de enormes sacos de lixo, entrou no closet e começou pelos sapatos. O critério era o peso, claro. Dois ou tres pares de sandalia de salto Anabela ( de madeira), um par de botas de couro legítimo ( mais pesado do que o ecológico), um par de galochas ( nem tem chovido tanto&#8230;). Os casacos de invernoforam saindo um a um, preferencialmente os mais longos, os coloridos e os de corte variado. Ficou um pretinho clássico. Jeans, jeans, jeans, tudo pro saco. Camisetas promocionais que estavam guardadas para situações que, graças a Deus, não surgiram como uma limpeza, uma caminhada solitária, uma mão de tinta num móvel. &#8220;Descobriu&#8221; que o algodão puro é mais pesado do que o misturado e do que o 100% poliester. Achou que nesse caso valia a pena manter menos peças e ficar no algodão, um luxo a que todo morador de país tropical aspira. De quantas pashminas eu preciso para me sentir charmosa no inverno? Encheu tres sacos grandes, o marido e a filha pesaram um a um na balança do banheiro: deu  27, 31 e 22 , um total de 80 quilos. A partir de agora, ela tem carta branca para comprar 80 ítens para o seu guarda-roupa! Um desafio que eu adoraria encarar.</p>
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		<title>Freud não explica</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 17:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando viemos de Nova York depois de dez anos, achei que seria bom fazer uma avaliação no estado emocional das crianças,  abaladas com a mudança para o Brasil e, sobretudo, com a separação dos pais. Contamos, em momentos separados, com a ajuda de dois terapeutas, a Otávia e o Patrício. Tava na cara que não daria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando viemos de Nova York depois de dez anos, achei que seria bom fazer uma avaliação no estado emocional das crianças,  abaladas com a mudança para o Brasil e, sobretudo, com a separação dos pais. Contamos, em momentos separados, com a ajuda de dois terapeutas, a Otávia e o Patrício. Tava na cara que não daria certo.</p>
<p>Numa conversa na mesa, Manuela contou que uma colega estava tirando notas baixas e que a professora explicou que os pais da menina estavam se separando. &#8221; Eu mudei de país, de escola, de casa, meus pais se separaram, minha mãe se casou novamente e já vou ter um irmãozinho e nem por isso eu vou mal na escola!&#8221;</p>
<p>Aparentemente, elas lidavam com naturalidade com a questão dos meus casamentos. Havia um grupo de crianças tomando lanche em casa e eu gritei da cozinha: &#8221; Nego, que horas são? &#8221;</p>
<p>&#8220;Quem é Nego?&#8221;, perguntou uma menininha.</p>
<p>&#8221; É assim que minha mãe chama os maridos dela&#8221;, respondeu uma das minhas.</p>
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		<title>adolescendo</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 20:24:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui buscar a Laura, de 13 anos numa baladinha e ela veio toda assanhada, rindo e trocando mensagens pelo blackberry. &#8220;O que foi, Lau, que voce está tão feliz? Voce ficou com alguém?&#8221; &#8221; Hãhã&#8221;, ela respondeu sem nem tirar os olhos do celular. &#8221; Que nojo! Voce fica beijando esses meninos de quem voce [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui buscar a Laura, de 13 anos numa baladinha e ela veio toda assanhada, rindo e trocando mensagens pelo blackberry. &#8220;O que foi, Lau, que voce está tão feliz? Voce ficou com alguém?&#8221; &#8221; Hãhã&#8221;, ela respondeu sem nem tirar os olhos do celular. &#8221; Que nojo! Voce fica beijando esses meninos de quem voce nem gosta!&#8221; E ela: &#8221; Mãe, se eu gostasse, eu namorava. Como eu só acho bonito, eu beijo.&#8221;</p>
<p>Outro dia ela me perguntou:&#8221; Mãe, o que é mais forte: estar apaixonado ou amar?&#8221; Eu que sempre tenho uma resposta pronta prá tudo na vida, falei sem pensar: &#8221; Ah, paixão é muito mais forte do que amor&#8221;. O carro, que estava cheio de meninas de diferentes idades, seguiu em silencio.</p>
<p>&#8220;Mãe, terminei o namoro com o Lucas e ele me fez o maior desaforo no Facebook! Me chamou de vadia e tudo!&#8221;, contou quase chorando. Tentei consolá-la:  &#8221; Que horror, Lau. Mas não esquenta, é pura dor de cotovelo.&#8221; E ela desesperada:&#8221; Mas 32 pessoas curtiram!&#8221;  <a id="rrBCYesA" title="Gostei" rel="nofollow" href="http://noticias.br.msn.com/fotos/galeria-BBC.aspx?cp-documentid=30363195&amp;page=5&amp;rrurt=1&amp;rrcontrolId=ratCntrlBinary"><img id="ratCntrlBinaryYesButton" title="Gostei" src="http://blu.stc.s-msn.com/br/scp/css/15/decoration/toolbar/rating/up_hover.gif" alt="Gostei" /></a></p>
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		<title>Menos mãe, por favor</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 22:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma pesquisa da University College London feita ao longo de 5 anos entre cerca de 12 mil famílias inglesas, mostrou que as crianças pequenas não são prejudicadas emocionalmente pelo fato das mães trabalharem fora. E mais, parece que as meninas se saem inclusive melhor do que a media quando crescem numa casa em que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pesquisa da University College London feita ao longo de 5 anos entre cerca de 12 mil famílias inglesas, mostrou que as crianças pequenas não são prejudicadas emocionalmente pelo fato das mães trabalharem fora. E mais, parece que as meninas se saem inclusive melhor do que a media quando crescem numa casa em que a mãe trabalha.  São meninas menos agressivas, hiperativas ou manhosas no ambiente social, e menos infelizes, choronas ou angustiadas em casa. Isso, é claro, desde que a mãe não passe um numero exagerado de horas fora de casa e que consiga equilibrar seu tempo entre as duas coisas.  A pesquisa mostrou também que o cenário ideal para o desenvolvimento de criancas saudáveis e’ ter os pais morando juntos e ambos trabalhando.</p>
<p>Copiei e colei o artigo publicado no The Guardian e enviei para as minhas 3 filhas dizendo que elas não tinham desculpa para não irem bem na escola, não cumprirem seus deveres em casa ou não serem criaturas bem humoradas e equilibradas.</p>
<p>Apenas a mais nova, de 12 anos, respondeu de seu blackberry, de dentro de um ônibus a caminho de Guaxupe’ para onde estava indo de ferias ficar com os avós. “Acho que entendi mãe, quer dizer que mães que trabalham tem menos problemas com os filhos, ne’? “, ela respondeu. Como o texto era em inglês, dei um desconto. “ Mais ou menos, Laura. A pesquisa diz que os filhos não são prejudicados por isso. Mandei para você se animar a perseguir uma carreira bacana e quando for mãe não ficar em casa &#8220;por conta do a toa&#8221;, como se diz em Minas, ou no shopping peruando. “ E assinei:  da sua mãe que trabalha fora.</p>
<p>Ela analisou e completou o raciocínio: “Deve ser por isso que a Debora levou uma surra de chapinha da mãe outro dia e que a Juliana e’ totalmente bipolar. As mães delas não trabalham fora.” Ainda tentei levantar o nível, mas ela seguiu : “Eu me dei bem porque você esta’ sempre na agencia. As outras reclamam que não podem fazer nada sossegadas, que as mães controlam o uso do celular e do computador. deve ser horrível ter mãe o tempo todo em casa.”</p>
<p>O artigo não explicou exatamente porque a ausência da mãe não e’ prejudicial. O jornal deve ter ficado tão ansioso para avisar a mulherada da redação que não se preocupassem com os filhos e que continuassem ralando ali que nem se estendeu no assunto.  Minha mãe sempre trabalhou e eu morria de inveja das amigas que tinham mãe fazendo bolo e ajudando na lição de casa. Tinha uma que era o meu sonho de consumo. A dona Teresinha era carente e  queria a gente sempre por perto. De família rica do interior, achava bobagem a gente estudar muito e sempre que podia arrumava um jeito da gente faltar nas aulas de inglês depois da escola. Dizia que sabia ler as cartas. Se vestia com um turbante na cabeça e um roupão de seda e virava madame Zoraide, a vidente. Lia a sorte da gente no baralho. Depois que garantia casamento bom para todas, a filha dela e nós as amigas, levava a gente para tomar sorvete. Na época, ela era budista. Me lembro que colocava comida no altar e ficava rezando alto. Ia em excursões ao Japão. Agora dizem que está católica e que vai a Jerusalém todo ano.</p>
<p>A pesquisa diz que as meninas, filhas de mães que trabalham, são independentes e seguras. Não tenho dúvidas de que nesse mundo machista em que vivemos, os meninos se ressentem do fato de ter a mãe fora de casa. Quem vai fazer lanchinho do jeito que eles gostam, recolher os tênis pela casa, arrumar o quarto, checar a febre e todos os outros sintomas de doenças que eles NÃO tem e que precisam ser imediatamente tratados? Com o resultado da pesquisa em mãos, as mães de meninos deveriam repensar a educação deles levando em conta não só a infelicidade desses seres mimados, mas no desgaste das mulheres com quem eles vão se casar ali na frente.</p>
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		<title>As devidas providências.</title>
		<link>http://www.valoresfemininos.com.br/blog/2011/06/28/as-devidas-providencias/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 18:34:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jantei com uma amiga ontem. Ela tem sido minha companheira a vida toda, somos irmãs de alma, comadres. Entramos e saímos de casamentos juntas. Certa vez, quando eu ainda morava em NY, ela estava me visitando e, para o meu desespero, decidiu ali que iria se separar do marido, um amigo querido nosso, meu e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jantei com uma amiga ontem. Ela tem sido minha companheira a vida toda, somos irmãs de alma, comadres. Entramos e saímos de casamentos juntas. Certa vez, quando eu ainda morava em NY, ela estava me visitando e, para o meu desespero, decidiu ali que iria se separar do marido, um amigo querido nosso, meu e do meu marido na época. E por mais que eu tentasse dissuadi-la da ideia, foi do nosso telefone, via DDI, que ele recebeu o cartão vermelho. Ela estava apaixonada por outra pessoa e isso, para o meu ex-marido, foi a gota d’água no seu veredicto para o crime que ela tinha cometido. Um crime duplamente qualificado contra o seu amigo, contra os homens. Ficamos num campo de batalha naquele apartamento, eu de um lado contemporizando, tentando acalmá-la para o que ela enfrentaria na volta para o Brasil. Ele de outro, no telefone, botando fogo no amigo de ego machucado. Dava conselhos e sugestões maquiavélicas de vingança contra ela como se tivesse a maior experiência do mundo nas questões divorciais.  O fato é que depois de um dia e uma noite mal dormida, muito vinho e choro, algumas compras que ninguém é de ferro, coloquei minha amiga no avião. A separação foi do tipo silenciosa. Há vários tipos: a barraqueira, a fingida, a honesta de peito aberto e tem essa, a da pessoa que decide não discutir. E essa também é enlouquecedora porque você não pode se defender da acusação que fica no ar.  Minha amiga disse que chegando do aeroporto, o ex-marido a recebeu educadamente, tomou banho, se vestiu calmamente e foi trabalhar. Só pediu para que ela saísse de casa antes que ele voltasse, já que era ela que estava insatisfeita. Ela fez as malas e foi para um hotel. Algum tempo depois, quando já estava com a vida mais organizada, tinha alugado um pequeno apartamento, eu vim passar férias no Brasil e ela me pediu para ir até o antigo apartamento “resgatar” umas coisas porque na correria não tinha levado quase nada. Imediatamente topei a missão. Fomos até lá durante o dia, aproveitando que ele estava no trabalho, puxando uma mala grande e disfarçando, como quem transporta um corpo esquartejado. Passamos pelo porteiro que reconheceu minha amiga e sorriu.  Vencido o primeiro obstáculo, corremos para o elevador e subimos eufóricas.  Ela tira o molho de chaves que carregou durante os muitos anos de casamento, separa a chave que conhecia tão bem, enfia na fechadura, gira e&#8230;nada. Tenta novamente. Nada. Não é que ele tinha seguido a instrução do meu ex-marido e trocado a fechadura? Nos olhamos e tivemos um ataque de riso desses de nervoso, de velório, e ficamos sentadas no chão do lobby, com a mala ao lado, rindo sem parar. Depois, seguimos para uma lanchonete ali perto e, de novo, só de nervoso, comemos sanduiches gigantes, tomamos milk shake, enchemos a cara.   Isso foi há muitos anos. Ontem à noite quando nos encontramos, fizemos um brinde aos casamentos que vieram depois e ao nosso aprendizado nos descasamentos que se seguiram. Nunca mais permitimos a amizade entre os nossos maridos.</p>
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		<title>Quatro olhos e nenhuma perspectiva.</title>
		<link>http://www.valoresfemininos.com.br/blog/2011/06/22/quatro-olhos-e-nenhuma-perspectiva/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 13:31:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minha vida anda caótica. E o primeiro sinal disso são os óculos. Comecei a usá-los recentemente e ainda não tenho controle sobre a situação. Quando estou, vamos chamar assim, agitada, perco os óculos. Já mandei fazer uns 12, fiz as contas outro dia. Sempre de 3 em 3 para garantir.  Começo com aquele raciocínio: &#8220; Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha vida anda caótica. E o primeiro sinal disso são os óculos. Comecei a usá-los recentemente e ainda não tenho controle sobre a situação. Quando estou, vamos chamar assim, agitada, perco os óculos. Já mandei fazer uns 12, fiz as contas outro dia. Sempre de 3 em 3 para garantir.  Começo com aquele raciocínio: &#8220; Não vou gastar dinheiro com isso, são óculos de leitura, ninguém vai ver&#8221; e por aí vai. Aí  penso: &#8220;É o meu rosto, tenho que caprichar&#8221;.  Acabo comprando aquelas armações caríssimas, hora quase invisíveis, hora assumidíssimas, bem coloridas. E vou perdendo um a um, deixando dentro do jornal na praia, entre os livros na livraria, na mesa do restaurante. Tenho a maior coleção de caixinha de óculos do mundo. Uso prá guardar outras coisas. Tem uma mais magrinha onde guardo comprimidos na bolsa, por exemplo. Engraçado, sempre tive pena de ver gente que não enxerga direito tateando as coisas atrás dos óculos. Tou quase igual. Na outra agencia onde trabalhei, sempre que encontravam óculos abandonados em locais improváveis, vinha um email para o escritório inteiro dizendo: “Foi encontrado óculos de grau e está guardado na recepção. Se não for da Marina, pode ser seu.”</p>
<p>Uma vez, quando morava em Nova York e trabalhava para um canal de televisão, fiz uma matéria sobre o aniversário de 50 anos do Caetano Veloso que foi comemorado com uma festa em homenagem a ele no jardim das esculturas do Metropolitan. Estava morrendo de medo da pergunta que inevitavelmente teria que fazer a ele, aquele leonino vaidoso: &#8220;Como se sentia ficando mais velho?&#8221; E surpreendentemente a resposta foi mansa, sem malcriação, ao contrário, ele me disse mais ou menos assim: &#8220;A natureza é sábia e nos dá saídas para as dificuldades que vão aparecendo. Eu sempre tive horror à ideia de usar óculos, dessa imagem do velhinho. Hoje, quando me acomodo numa poltrona com um bom livro nas mãos, abro a caixinha e tiro os meus óculos, me sinto o sujeito mais privilegiado do mundo!&#8221;</p>
<p>Li em algum lugar que um dos itens mais delatadores da idade são os óculos. Uma vez no supermercado em Guaxupé, percebi que um homem, um senhor,  empurrando um carrinho e olhando para mim, como que me reconhecendo. Vi uns traços nele que também reconheci como alguém do meu passado. Eu estava de óculos e me lembrei da tal pesquisa. Tirei os óculos correndo pensando: &#8220;Se ele está gordo e careca assim, devo estar igual de outra forma, encolhida pelo tempo e usando óculos.&#8221; Mais tarde,  minha mãe reclamou que comprei a farinha errada, mas como ela queria que eu lesse o rotulo e fizesse charme para o meu velho amigo ao mesmo tempo? Ultimamente, sem tempo de ir atrás disso, tenho comprado óculos na farmácia. Além de não fazerem bem para a vista porque foram criados para uso temporário, não tem armações de design bacana. São armações farmacêuticas. Francamente, são feias. Me lembro quando era pequena e via o pessoal mais pobre comprando óculos de grau no camelô no centro da cidade e achava tão inteligente! Agora sou &#8220;useira e vezeira&#8221; como se diz em Minas. Quando o pessoal aqui da agencia me vê com a cara meio torta, assim feito uma figura cubista do Picasso, já sabem que estou atrapalhada e que os óculos de farmácia estão de volta.</p>
<p>E como é difícil carregar os óculos quando eles não estão &#8220;trabalhando&#8221;. Quem, como eu,  precisa só para ler, tira e põe o tempo todo. E é aí que os perco. Me recuso a andar com aqueles barbantes pendurados no pescoço. Se os coloco em cima da cabeça, assim, como que segurando o cabelo, as astes se abrem, alargam, e as lentes ficam sujas da gordura do cabelo. Se penduro na roupa, derrubo cada vez que me abaixo e em seguida piso em cima que é para completar o serviço.</p>
<p>No mundo dos óculos, tudo é meio deprimente. Não é à toa que nos filmes quando o diretor quer mostrar a fragilidade humana, coloca um cara de óculos. Da última vez em que fui comprar armações novas, não conseguia ver direito o que estava experimentando, claro. É preciso contar com o bom senso da vendedora ou assumir a situação e levar um acompanhante.</p>
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		<title>Sem mixaria.</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 13:10:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este final de semana, fomos prá Ilhabela onde tenho uma casa. É uma construção modesta, sem grandes sofisticações, mas honesta. Não tem mofo,encanamento entupido, nem falta água, nada daquelas tragédias que a gente conheceu na infancia.  É nossa grande conquista patrimonial, temos enorme orgulho da casa e prazer de estar lá. Compramos contra todos os argumentos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este final de semana, fomos prá Ilhabela onde tenho uma casa. É uma construção modesta, sem grandes sofisticações, mas honesta. Não tem mofo,encanamento entupido, nem falta água, nada daquelas tragédias que a gente conheceu na infancia.  É nossa grande conquista patrimonial, temos enorme orgulho da casa e prazer de estar lá. Compramos contra todos os argumentos da família que, mineiramente, acha praia um horror e morre de pena de quem tem que ir. As conversas em Guaxupé são mais ou menos assim: &#8220;A Marcia foi passar uns dias na praia. Foi insistencia do João. Ái, coitada, quanto tempo vai ter que ficar lá?&#8221;.  Rompendo mais uma vez as barreiras familiares, das varias que derrubei ao longo da vida com os meus diversos casamentos e viagens a lugares que nevam, por exemplo,comprei a casa e mais do que isso, um barco. Imagine o desgaste. Tem tia rezando por mim até hoje. Na praia, temos uns vizinhos maravilhosos, italianos que vieram para o Brasil há alguns anos e compraram uma marina na Ilhabela. Como manda a tradição, eles cozinham muito bem e sempre nos convidam, talvez porque morram de pena de nos ver carregando todos aqueles congelados para cima e para baixo. Eles levam uma vida simples, mas saborosa. Em todos os sentidos. Vão e voltam de bote para o trabalho, que é a marina. A gente vê os caras saindo cedo e o barulho do bote, pó, po, pó, pó&#8230; O mesmo no final do dia. Fazem pesca submarina, caminhadas que atravessam a ilha. Conhecem os melhores restaurantes da cidade, promovem orgias gastronomicas em casa. E quando a gente sente o cheirinho de manjericão e do molho de tomate subindo, ficamos só esperando os gritos acolhedores: &#8220; Marina! Hêlio!&#8221;Além do casal, há um senhor, o pai dele, que tem agora 90 anos e é o velho mais charmoso que se possa imaginar. De olhos verdes, sempre elegante de bermuda, crocs nos pés, as vezes um sueter jogado nas costas, mais sem vergonha impossível. Faz charme até para o cachorro. E a gente não resiste. Numa certa altura, o pessoal começou a estranhar os sumiços dele. Saía no meio da manhã e só voltava com o sol baixo para dar um cochilo. Descobriu-se então que esse senhor de andar frágil e que mal fala portugues, estava  frequentando um restaurante sofisticado da Ilha, cuja dona é uma senhora de origem alemã dos seus 70 anos, viuva, simpatica e excelente chef de cozinha. Com o clima rolando entre os dois, ela mandava fazer pratos exclusivos para ele, com ingredientes que os outros clientes nunca provaram. Ele, paladar requintadíssimo, se apaixonou. E passaram a namorar. Discretamente como convem à idade, mas dedicados como também convem a quem não tem mais tempo a perder na vida. Pois nesse final de semana, quando perguntamos sobre o papá Paolo, como o chamamos, soubemos que o casal foi fazer um cruzeiro no Danubio e que na volta vão se casar! Quanta energia!</p>
<p> Me lembrei do Billy Wilder que disse certa vez que gostaria de morrer com 90 anos e do tiro de um marido ciumento.</p>
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		<title>Esquece a novela. Ibope em Minas é a política mineira.</title>
		<link>http://www.valoresfemininos.com.br/blog/2011/06/08/533/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 12:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Meus pais foram para a Europa numa daquelas excursões da terceira idade que eu não vejo a hora de fazer. Você não precisa decidir nada, só segue as instruções, acompanha a bandeirinha. Depois que eles embarcaram, ficamos pensando, eu e minhas irmãs, que deveríamos ter ensinado a eles como usar o computador nos hotéis para mandar notícia. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus pais foram para a Europa numa daquelas excursões da terceira idade que eu não vejo a hora de fazer. Você não precisa decidir nada, só segue as instruções, acompanha a bandeirinha. Depois que eles embarcaram, ficamos pensando, eu e minhas irmãs, que deveríamos ter ensinado a eles como usar o computador nos hotéis para mandar notícia. E não é que ontem chegou um email  dizendo que estão adorando e que &#8220;se as ricas perninhas agüentarem&#8221;  eles irão longe? Meu pai está mais adiantado nesses assuntos interativos. Só lê o jornal de Guaxupé no computador. Depois sái e compra a versão em papel para ajudar o dono que é amigo dele e o menininho que vende também. Eles lêem o jornal , o Estadão em São Paulo e o Correio do Sudoeste em Guaxupé, de cabo a rabo. Fazem a revisão, dão risada de erros de gramática ou ortografia. Meu pai manda cartas comentando as notícias, toma partido, emburra com um jornalista ou outro e aí para de ler as matérias dele por um tempo. Minha mãe liga para os filhos e netos recomendando um artigo, recorta e deixa para a gente ler. Eles cobram coerência na linha editorial do jornal, o que num jornal grande faz todo o sentido, mas no jornal de meia dúzia de paginas de Guaxupé, em que o pedreiro que bate na mulher e vai preso ( com direito a análise do editor culpando a mulher por usar roupas vulgares e tudo) é a manchete, fica complicado. O pessoal em Minas é assim mesmo, muito interessado em economia e política. Em dinheiro ninguém que é falta de educação e pecado.  Você não tem idéia de quem está ganhando, quem está quebrado, quem está comprando, quem está vendendo. Gerente do Banco do Brasil em Minas é o cara mais respeitado da cidade.  Sabe de tudo, mais do que o padre, e não abre o bico. O silencio dele vale ouro, literalmente. O outro assunto de interesse, esse presente em todas as conversas, é a política, claro. Minha avó, que morreu no ano passado com 98 anos,  conversava todos os dias com as tias, todas nessa faixa etária, sobre política. Assim, como quem fala  da novela. Eles lêem o jornal, ouvem radio, sabem tudo o que acontece, as fofocas, os boatos, acompanham cada movimento. E político mineiro é Deus. Até ontem era o Itamar, o Zé de Alencar.  Agora é aquele Aécio, só não tem um busto dele lá na fazenda porque nós não deixamos. Minha avó votou até morrer. Toda eleição tinha matéria com foto dela no jornal de Guaxupé. Era entrevistada. Uma vez votou no Lula, mas disse que tinha votado no outro.  Só contou para a gente. Ou talvez tenha sido o contrário, votou no outro e contou para a gente que era no Lula porque ia fazer bonito com a ala mais jovem da família.  Ainda que  façam aquele jeito de desdém: “esse povo aqui é muito atrasado&#8230;”, para o mineiro, tudo ali é melhor, mais importante.  Eu vou viajar e minha mãe conta num almoço achando que vai fazer o maior sucesso: “A Marina foi pro Japão, gente. Quase 30 horas de viagem”. E todos “ ah, que bom, né?”. Nenhuma comoção. Aí alguém comenta: “tá dando jaboticaba no Zé Borges”. E o assunto pega fogo. “Que maravilha. Vocês tão indo lá? A gente tem que marcar e ir porque aquela qualidade de jaboticaba não tem igual” e por aí vai. Me lembro de quando estava morando em Nova York e começou a nevar pela primeira vez. Eufórica, liguei para a minha avó em Guaxupé e contei: “vó, tá nevando aqui !”. E ela: “tudo bem , filha, passa logo”.</p>
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		<title>Entre o vermelho Ferrari e o verde barbante</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 18:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A reforma do apartamento já estava marcada quando surgiu a viagem a trabalho para Toquio onde eu ficaria por duas semanas. Achei melhor seguir em frente com a reforma  já que, coincidentemente, o Helio estaria fora no mesmo período, numa outra viagem.  A ausencia dele comprometeria a supervisão da obra, mas pelo menos teríamos uma preocupação a menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A reforma do apartamento já estava marcada quando surgiu a viagem a trabalho para Toquio onde eu ficaria por duas semanas. Achei melhor seguir em frente com a reforma  já que, coincidentemente, o Helio estaria fora no mesmo período, numa outra viagem.  A ausencia dele comprometeria a supervisão da obra, mas pelo menos teríamos uma preocupação a menos com as refeições, barulho, pó, bagunça. Eu, as meninas, a Milene, que trabalha em casa, e as gatas, podemos sobreviver por um bom tempo comendo mal, dormindo mal, cheias de alergia, com as nossas coisas amontoadas em caixas pelos cantos. Basta não coincidir as TPMs. Já o Helio&#8230; Houve uma votação e decidimos iniciar a obra no instante em que ele deixasse a casa a caminho do aeroporto. E assim fizemos. Fui administrando a situação de longe, no início  zonza com o dia trocado pela noite, depois já com o fuso ajustado. Eram dezenas de emails que iam e vinham com imagens de paredes derrubadas, referencias de cores, de tecidos e perguntas da decoradora (a esta altura uma verdadeira empreiteira instalada em casa, despachando com os pintores e pedreiros, dando palpite na comida da família&#8230;). Eram dúvidas sobre tonalidades que eu nem sabia que existiam como &#8220;vermelho Ming&#8221; ou &#8221; verde barbante&#8221;, diferenças sutis (para mim, não para ela) entre o tom goiaba e o melancia. Quem conviveu comigo nesses dias acompanhou o processo porque é claro que eu interrompia uma reunião com dez japoneses para me queixar  de que estavam pintando minha cozinha de vermelho, erraram na cor, ficou rosa &#8221; e agora eu vou morar na cozinha da Barbie!&#8221;  Ainda ontem chegou um email falando sobre um projeto digital super bacana que estamos trazendo para o Brasil, com detalhes técnicos e tudo e no final uma observação irônica: &#8220;Espero que você tenha se decidido entre o vermelho tomate e o Ferrari.&#8221;  </p>
<p>As crianças agüentando  as piadas dos funcionários. O pintor : “Não se preocupem com a cor forte. É só tomar café da manhã de óculos escuros. Rárárárá”.  Eu de longe. Só nos emails. Tinha que dar ok para tudo: “Vou trocar  um prego na lavanderia, ok?&#8221;  &#8221;Ok&#8221;  . &#8220;Vou  colocar um ralo  menor, ok?&#8221;  &#8220;Ok”  Who cares? Quem se importa? Pelo visto, muita gente. O numero de assassinatos de decoradoras por clientes insatisfeitas deve ser altíssimo. A minha queria deixar tudo no papel. Ou no email.</p>
<p>A reforma atrasou, claro. O irmão do pintor foi assassinado no botequim no domingo à noite, tadinho. O cara não veio trabalhar dois dias e depois ainda ficou meio deprimido, precisava a casa inteira ficar conversando com ele para distrair e não deixar beber. O poeirão subindo, as gatas rolando na sujeira feito uns bichos selvagens e depois andando em tudo. Eu cheguei arrastando as malas, naquela assepsia japonesa e mergulhei no inferno. Mas não há calmante que não resolva quase tudo. A decoradora/empreiteira que vive  à base de medicação já me estendeu uma cartela que deve durar até o fim da reforma.  Parte do pacote. Ela leva o trabalho muito a serio. Assumida mesmo. Quando fizemos uma reunião no escritório antes de  ir viajar, ela distribuiu amostras de  tecido pela sala toda, sobre as cadeiras, sobre o monitor, ia jogando para mostrar o efeito dos  panos, a &#8220;caída&#8221;.  Estávamos numa sala da agencia onde trabalho, toda de vidro, que é para queimar o meu filme de vez. Passa o Renato Loes, presidente da agencia, cola a cara no vidro, abre um pouquinho a porta e diz: &#8221; Quando a reunião acabar, vocês vão sair para comprar tecido? Não quero atrapalhar o programa, de maneira alguma. É que a Marina precisa me entregar um texto&#8230;&#8221;</p>
<p>Bem, já estamos na reta final, a gente já nem precisa tomar banho de havaiana, nem comer na cama, dá até para encontrar uma peça no quartinho de passar roupa se tiver paciência.  Aprendi uma ou duas coisas que podem me ajudar se faltar assunto numa conversa com homens: demão de tinta , reboco, argamassa&#8230;</p>
<p>E vou voltando prá minha rotina. Agora, como diria minha decoradora, “Mais monótona do que azulejo branco”.</p>
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		<title>Planetas diferentes</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 17:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marina Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era aniversário do Helio, meu marido. Comprei vários presentes e à noite, a caminho de casa, parei no posto para colocar gasolina no carro. O frentista perguntou se eu queria checar o óleo e me lembrei das inúmeras vezes que o Helio me pede, sem sucesso, para fazer isso: &#8221; Sim, cheque o óleo&#8221;, respondi .  O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era aniversário do Helio, meu marido. Comprei vários presentes e à noite, a caminho de casa, parei no posto para colocar gasolina no carro. O frentista perguntou se eu queria checar o óleo e me lembrei das inúmeras vezes que o Helio me pede, sem sucesso, para fazer isso: &#8221; Sim, cheque o óleo&#8221;, respondi .  O rapaz veio com aquele longo palito de metal que eles enfiam no motor e anunciou que o óleo estava sujo, que seria bom fazer a troca.  Me armei de paciencia, eram quase oito da noite, mas pensei: &#8220; mais um presente para ele&#8221; e concordei. Como, graças a Deus, nunca fiz uma troca de óleo na vida, achei que seriam 5 minutos, sem sair do carro. O frentista, agora acompanhado de um colega, informou que o serviço levaria cerca de 15 minutos e que eu deveria esperar do lado de fora. Vi quando subiram o carro numa estrutura alta e começaram a operação. Sentada numa banqueta num canto do posto, tirei o celular e fiz fotos para documentar a aventura. A certa altura, a dupla recomendou que trocássemos também o filtro por apenas uns tantos reais a mais. Dei o ok:  &#8221; Vamos fazer isso direito. O Helio vai ficar muito feliz&#8221;, pensei. E meia hora mais tarde, segui para casa com a sensação de missão cumprida. Quando ele chegou, demos os presentes que ele abriu e elogiou. &#8221; E agora, o melhor de todos!&#8221;, anunciei. &#8220;Fiz a troca de óleo no carro!&#8221; O rosto dele se distorceu como se tivesse sentindo uma dor insuportável. Era uma expressão de horror. &#8221; Você está brincando, não é? Você não fez isso&#8230;&#8221; E eu sem entender: &#8221; Claro que fiz! Não foi o que você pediu? &#8221; Ele berrava: &#8221; Burra! Eu não acredito! Você não sabe que não se troca o óleo de carro novo? Não tem nem 5 mil quilômetros rodados! Agora perdemos a garantia!&#8221; E as meninas riam muito, o que piorou a situação. &#8220;Mas vc disse&#8230;&#8221; &#8221; Eu falei  CHECAR o óleo! Em que posto foi isso? Eu vou matar esses idiotas!&#8221;  Fiquei completamente desapontada, emburrei, fui pro quarto, apaguei a luz e dormi. Ele jantou sózinho. No dia seguinte, pediu desculpas porque tinha ficado nervoso com uma coisa que afinal não era tão importante. E me tirou o carro novo.</p>
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